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quinta-feira, 31 de outubro de 2013

RECEBI ESTE COMENTÁRIO E NÃO POSSO DEIXAR DE COMPARTILHAR, MESMO ESTANDO SUSPENSAS AS MINHAS PUBLICAÇÕES AQUI.
Prezado Daniel, hoje - 01-11-2013 - sou um ex-CAC, dedicando-me somente a atividade acadêmica superior da filosofia e direito, mas...... retornarei ao mundo dos bons - CAC - logo termine esta epopéia.
Seu comentário é muito pertinente e, em parte reflete meu pensamento amadurecido depois daquela publicação.

Gratíssimo pela colaboração.

A mensagem postada pelo Amigo Daniel:

Anônimo deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Ser Atirador Colecionador e Caçador": 

Prezado Ronaldo Galvão, primeiramente gostaria de parabenizá-lo pelos excelentes posts e agradecê-lo por compartilhar seus conhecimentos.

No entanto, me chamou a atenção a sua opinião sobre a caça e, aproveitando esse espaço, gostaria de discordar dela. Não acho que devemos ter que gastar 10.000 dólares para podermos fazer uma caçada. Se a caça se resumir somente a isso, melhor nem ter. O cunho cultural sobre o qual a caça se apoiou no longo da sua história jamais teria se mantido dessa forma. A caça não é e nem deve ser um negócio puro e simples.

Ser caçador e não compactuar com a ilegalidade (da caça) não combina no Brasil. Ou você é uma coisa ou é outra. Como se adquire o gosto pela caça em um país que não permite a caça? Não vejo como. Desde a lei 5.197 de 1967 a caça é restrita (para não dizer proibida) no Brasil. Com raras exceções, como as temporadas de caça no RS, o controle do javali em 2007 a 2010 em SC e RS, e agora o controle do javali liberado pela Ibama. A última temporada no RS foi, se não me engano, em 2005. Mesmo ano em que o STF enterrou de vez as chances de caça legalizada no Brasil. Essas fazendas de caça mencionadas no seu post provavelmente são clandestinas. Depois de 2005 então, com certeza não podem ser legalizadas. Ou seja, em lapsos temporais e espaciais a caça foi permitida no Brasil. Como pode alguém adquirir gosto pela caça numa condição dessa? No entanto, de norte a sul e leste a oeste do Brasil as pessoas caçam.

No mundo rural existe a caça. É uma cultura. As leis devem seguir o consenso social, trazer o equilíbrio entre o direito individual e o coletivo. Na questão da caça isso não foi respeitado. Ninguém foi lá no interior ver como as pessoas vivem e nem pediram a opinião delas para fazerem as leis. Ao invés de regulamentar, como é na maioria dos países do mundo, preferiram proibir. O resultado é que a lei não é cumprida. Basta olhar para a cultura da caça permeada em vários meios, como nas lojas de caça e pesca, agropecuárias, lojas na internet, clubes de caça e tiro, que no RS e SC tem um em cada localidade, munições CBC para caça, registro de caçador no exército, etc. A pergunta que fica, mas como tudo isso se a caça não é permitida no Brasil? A resposta é que nós (os caçadores) não nos deixamos ficar refém dessa injustiça. Defendemos aquilo que achamos moral e não somente por ser legal, a moral vem da nossa educação, já o legal pode vir de bandidos, literalmente.

O preço que pagamos é que somos “caçados” pela lei. Mas é o preço a se pagar. Ficar de braço cruzado e imaginar um dia poder ir para a África não vai melhorar em nada a nossa situação.

Em tempo, sou caçador devidamente legalizado para o controle (e não caça, como o próprio Ibama enfatiza) do javali, com CR de caçador, armas no acervo de caçador, GTs, certificado de regularidade de registro no Ibama para controle de espécie invasora, cães com vacina em dia, atestado de saúde, etc, etc. Também sou a favor de seguir a legalidade, mas isso quando ela existe. Eu e você temos condições e paciência para lidar com o exército, mas a maioria dos agricultores, profissão normal dos caçadores, não tem livre acesso a esse direito. Além de ser limitado, é restrito. Não posso defender isso, não posso chegar para um agricultor e falar “quer caçar, vá tirar o CR primeiro”, isso seria muita sacanagem com ele.

Quanto a matar uma anta, é bom exemplo da diferença entre regulamentar e proibir. Pela lei, matar uma pomba amargosa, que é praga, e matar um veado, por exemplo, é a mesma coisa.

Daniel 

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