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sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

CAOS DA SAÚDE EM PARÁ DE MINAS

Críticas e mortes

A administração da saúde em Pará de Minas está de mal a pior. O descaso com o cidadão chega ao ponto de ocasionar mortes. Mortes desnecessárias, previsíveis que a pouco custo seriam evitadas. Tudo isto se chama desrespeito e crime. Se os responsáveis não tomarem uma resolução enérgica e rápida, situações tenebrosas hão de abundar e os cidadãos de nossa Pará de Minas e cidades vizinhas estarão cada vez mais prejudicados. O prejuízo é a morte, lesões permanentes, dor e sofrimento.

Como observador posso apontar alguns fatores que saltam aos olhos:

  1. Não estão definidas as competências e responsabilidades do Pronto Atendimento e do Hospital Nossa Senhora da Conceição. Ninguém sabe para onde ir em determinadas situações. A população não é informada como proceder para dirigir-se ao local certo nas horas de suas necessidades relativas a saúde. Não existe uma triagem correta e eficaz. Estes desencontros tem feito com que doentes graves fiquem no baile das idas e vindas entre PA e Hospital sem nenhum atendimento. Os atendentes de ambos, com o fim exclusivo de se livrarem dos problemas, remetem entre si os doentes num “passa-e-repassa”. Os médicos atendem mal e porcamente os que até suas mãos chegam e novamente encaminham o paciente para o outro setor, e não assumem a continuidade do tratamento daquele cidadão. Nem mesmo entre eles é definida a competência de cada um. Os últimos debates provam bem isto.

  2. Existe no HNSC e PA uma tradição de não se alterar os grupos que os administra. Apenas duas linhas de pensamento, opositoras politicamente entre si, se revesam no mando dos dois únicos pontos de recurso de saúde de nossa cidade. Oposição esta que mais se preocupa com as questões políticas que com as voltadas a real administração hospitalar. A Situação administra somente pensando em prejudicar seus desafetos partidários e garantir-se nas futuras eleições e administrações. Nestas horas o último a ser lembrado é o paciente. A primeira lembrança são as verbas de SUS e outras que vão para o HNSC e como fazer uso das mesmas nos seus interesses particulares. Interesses particulares não digo sobre o desvio de verbas, falo sobre o direcionamento destas verbas para obras e ações que visem o bem estar do grupo que tem a liderança da administração.

  3. Administrações amadoras destroem o HNSC a olhos vistos. São médicos fazendeiros, médicos advogados, médicos metalúrgicos, médicos bancários outros nem médicos são, e toda uma estirpe de profissionais sem qualificação técnica que tomam o leme da administração do HNSC. Nunca entrou naquele nosocômio um verdadeiro Administrador Hospitalar na acepção mais profunda da expressão profissional. Se existe algum no HNSC sua voz não ecoa e não tem poder nenhum de mando ficando suas opiniões desaparecidas. Ou porque é influenciado pelos grupos dominantes ou opositores, ou ainda porque é incompetente mesmo. O Hospital necessita de um administrador que tenha vez e voz, com poderes de mandatário geral e obedecido incondicionalmente, agindo de forma imparcial como a administrar uma empresa. Tudo voltado a uma prestação de serviços mais eficaz e séria possível. Nos parâmetros determinados pelos princípios da administração nosocômica.

Parece que não se entende o local de saúde como uma empresa, veem nele suas empresas particulares seus negócios próprios e desatentos, administram sem nenhuma capacidade técnica. Não se pode administrar um hospital como se dirige uma fazenda, um boteco, um armazém qualquer. Trata-se de uma empresa onde os empregados exercem função pública das mais importantes para a sociedade.

  1. Debates são efetuados a todo o momento. As pessoas ficam intencionadas apenas em crescer suas popularidades com claras vistas a seus futuros políticos próprios e outros que não a saúde pública. São reuniões, assembleias, debates, que não chegam a conclusão alguma e apenas um rol de boas intensões que é exclusivamente verbalizado e não praticado.

Já tive a oportunidade de ver médico-político se lastimando com professor-politico (ambos de grande naipe intelectual) dizendo que a solução da saúde pública de Pará de Minas é tal qual a questão da Educação: debates sem fim e sem solução plausível.

  1. Profissionais despreparados estão abundando no HNSC e PA. São pessoas que vão fazer uma cirurgia de menisco e saem com os pés operados. Um cidadão cambaleando, falando com dificuldade, olhos vermelhos, suado e delirando chega no HNSC e é recebido como bêbado dado os seus sintomas. Mas não percebe o médico que este cidadão esta tento uma crise glicêmica em função do diabetes que tem. Pessoas que sem necessidade alguma são submetidas a intervenções cirúrgicas. Parece que somente para recebimento verbas de SUS.

Incrível mas verdadeiro afirmar, que se alguém chega bêbado no HNSC ou PA é tratado com total descaso. Não se apura nenhuma outra coisa: lesão, síndromes, hemorragias (internas principalmente), choques (especialmente anafiláticos), etc. A condição de alcoolismo de um cidadão o retira toda a dignidade para atendimento médico em Pará de Minas.

  1. Não pude conter meu espanto quando um cidadão aproximou-se de mim em lamúrias dizendo que acaso tivesse de ser operado em Pará de Minas por algum dos médicos daqui, preferia ir no açougueiro da esquina para receber um melhor tratamento. Esta fala e outras tem se tornado motivo de piadas nas rodas de conversa que surgem sobre a saúde de Pará de Minas. Viva Boris Casoy e seu jargão: “Isto é uma vergonha!”

É tenebroso que várias das ações de nossos esculápios estão parando onde não deveriam estar: na Delegacia de Polícia. Recentemente tivemos casos onde médicos se recusam a assinar o que viram (no caso, um atestado de óbito) pessoas que não são atendidas pelos 'contaminados' funcionários destes dois locais de saúde e por fim, morre um cidadão na sarjeta.

Sei que autoridades como Promotores de Justiça estão de olhos abertos para as ocorrências que tem gerado estes debates incessantes sobre o PA e HNSC. Esferas governamentais superiores (secretaria estadual de saúde, e ministério da saúde) estão recebendo estas notícias sempre. Já já uma intervenção ocorre e vamos virar vergonha nacional.

A saúde pública é serviço de essencial importância e em nossa cidade tratado como questões particulares e pessoais dos membros das cúpulas que presidem a administração da saúde. Falta-nos um olhar técnico (enquanto se fala em administração) e humano (enquanto problema social) sobre a saúde de Pará de Minas. Uma situação que para o futuro haverá de nos causar lástima e vergonha. Causar – como já tem causado – mais lágrimas e perdas irreparáveis.

Peço aos que pretendem criticar-me pelo fato de ter escrito este artigo que movam suas forças não contra a minha pessoa – não sou digno de tamanha atenção – e sim em favor de nossos cidadãos.

5 comentários:

Anônimo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Flávio Marcus da Silva disse...

Ronaldo, meus parabéns pela sua audácia e coragem em enfrentar os problemas da nossa sociedade local. Como a maioria das pessoas se cala e se acomoda, as coisas não mudam. É preciso que alguém reme contra a corrente e faça alguma coisa.
Aproveito para divulgar o meu blog, com alguns escritos meus e muitos de outros autores (a maioria revoltados, indignados ou loucos): http://oficinahistorias.blogspot.com/
Um abraço,
Flávio Marcus da Silva

Flávio Marcus da Silva disse...

Estou muito desapontado com a classe médica em Pará de Minas (é claro que existem exceções), pois, ao que parece, o dinheiro, o status e o poder vêm sempre em primeiro lugar, e quando é assim, não adianta um administrador competente no HNSC, pois ele acaba sempre pressionado por todos os lados e suas ações se anulam, caem no vazio. Administrar pessoas não é fácil, ainda mais quando a "elite" profissional, que trabalha na instituição é quase toda "do contra".

Anônimo disse...

Porque você Ronaldo, não pede uma visita do conselho regional de medicina a estes dois estabelecimentos de saúde, para averiguar o que realmente acontece por lá? O HNSC tem competetências na gestão que não cumpre. A referencia de um PA é o hospital e o porque o hospital se nega a receber determinados casos nos quais ele está cadastrado pelo SUS para receber? Porque constam neurocirurgiões adultos e pediátricos no seu corpo clínico, otorrinolaringologistas,cardiologistas,cirurgiões, ortopedistas, e frequentemente os pacientes têem que ser encaminhados para BH, causando transtornos e riscos para os mesmos? Uma idéia, pense no CRMMG, ele pode dar uma resposta a todo esse embate entre PA, Hospital e médicos
assinado: alguém preocupado com a saúde de Pará de Minas

Anônimo disse...

ronaldo, seu artigo ficou bom, porem um gritante erro de portugues me incomoda: intenção é com "ç"..
:)