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segunda-feira, 7 de abril de 2008

BOA LIÇÃO


De uma gramática de 1946 que herdei de minha avó. Foto original contida na gramática.

Renato e Vicente bincavam no quintal, sentados ao ppé de uma goiabeira, quando erguendo os olhos, Renato enxergou, meio oculta na folhagem, linda goiaba, inteiramente amarelinha.
- Oh, uqe bonita goiaba! Exclamou com a boca Cheiad'água. Vou subir à goiabeira para apanhá-la. Cada um de nós ficará com a metade, Vicente.
Disse e foi trapando pelo tronco da árvore.
Vicente era, porém, guloso e pensou em comer sòzinho a goiaba.
Num abrir e fechar de olhos, agarrou um cado de telha e arremessou-o à fruta para derrubá-la.
- Não, Vicente!" ora, não atire pedraa! dizia Renato. Do contrário, a goiaba irá esborrachar-se no chão. Espere, que eu a colho.
Vicente, porém, não he dava ouvidos e as pedras continuavam a subir, zunindo...
- Vicente! Vicente! Olhe que me vai acertar uma pedrada! Não seja teimoso!
-Qual o quê! respondeu vicente. Quem comerá a goiaba inteirinha, está aqui!
E batia no peito.
REnato, então, sem se imortar coma as pedradas, apressou-se em colhês a fruta. Estendia já a mão para alcançá-la, quando recebeu uma pedrada na cabeça. Com um grito, perdendo o equilíbrio, desprendeu-se da árvore e tombou ao chão, não sofrendo na queda, felizmente, nenhum ferimento.
Doía-lhe, porém, muito o ponto da cabeça atingido pela dedrada. Contudo, nada fêz a Vicente. Disse-lhe apenas:
- Bem vejo que você é um menino guloso, egoísta, perverso e que não estima os companheiros. lá está a goiaba! Vá fartar-se com ela! Mas não me procure mais. Não devo andar em sua companhia, que é inconveniente.
É inútil dizer que Vicente estava desapontadíssimo, muito pálido. Sem mais pensar na goiaba, sem palavras, foi-se afastando, cabisbaixo. Mas, no dia seguinte, forçado pelo arrempedimento, escreveu a Renato um bilhete, pedindo-lhe desculpas pelso feio procedimento da véspera. Renato, dotado de coração generoso, soube perdoar turo e tudo esquecer.

Preservei a grafia original.

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